Nossa História
(Conheça um pouco da história da formação e dos pioneiros da Assembleia de Deu do Ministério de Cordovil)

     E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc. 16.15 e 16). Foi assim que, cumprindo esse mandado de Jesus, no ano de 1938, num domingo, por volta das três horas da tarde, em um culto ao ar livre na esquina da Estrada do Porto Velho com a Rua Amaetinga, em Cordovil um grupo de salvos e remidos pelo sangue de Jesus, trazendo em seus corações a chama do Espírito Santo, pregava o Evangelho. Deus tem os seus planos para cada um de nós. Assim foi para o casal Ornan de Oliveira e Fidelina Cândida de Oliveira que sedentos pela Palavra de Deus pararam para ouvir a mensagem do Evangelho de Cristo. Enquanto eles ouviam os cânticos, os testemunhos e as orações, o Espírito Santo trabalhava em seus corações até que veio a pregação seguida do apelo; eles não recusaram. Aceitaram a Jesus como único e suficiente salvador. Aquele grupo de irmãos era pentecostal; pertencia a então congregação da Penha Circular, localizada na Avenida Lobo Junior, filial da Assembléia de Deus de São Cristóvão.

     Como sempre acontece, os novos irmãos Ornan e Fidelina foram orientados a procurarem a igreja evangélica mais próxima da sua residência. Assim fizeram, procuraram a Igreja Congregacional de Cordovil, que era a mais próxima, situada na Rua Major Conrado. Naquela época não havia em Cordovil nenhuma outra igreja evangélica. Lá conversaram com o pastor. Foram muito bem recebidos; foram discipulados e em pouco tempo se tornaram membros da igreja, após passar pelo batismo. Cerca de três anos se passaram desde que aceitaram a Jesus. Liam a bíblia, estavam felizes com sua igreja, com seu pastor e com os ensinos que vinham recebendo sobre o evangelho; aí Deus começa a mudar o rumo da história. Apareceu na casa do irmão Ornan uma pessoa querendo alugar uma casa. Essa pessoa era um irmão de nome José dos Santos, Presbítero, que pertencia à igreja “Irmãos Unidos”.

     Essa Igreja era de orientação pentecostal, que tinha sido organizada por um grupo de onze irmãos pertencentes à Igreja Metodista da Penha, que creram e receberam o batismo no Espírito Santo, não sendo mais aceitos em sua denominação. Esse obreiro estava vindo da cidade de Paty do Alferes para residir em Cordovil. Era um servo de Deus atuante que tinha a chamada do Senhor para pregar o evangelho. Depois de se darem a conhecer como irmãos em Cristo, tudo ficou mais fácil e o irmão José dos Santos alugou a casa tornando-se inquilino do irmão Ornan.

     Daquela negociação comercial nasceu uma grande amizade e respeito do irmão Ornan pelo servo de Deus. Os dias foram passando até que o irmão José dos Santos passou a reunir na sua casa, com permissão do irmão Ornan, alguns irmãos, também pentecostais, que ele descobriu na localidade. Em virtude de ele ter um “dedinho” a mais em cada mão, ficou logo conhecido como José dos Santos “dedinho”.

     Eram reuniões de oração e estudo da Palavra de Deus realizadas às segundas-feiras à noite. Ao mesmo tempo, falava ao seu amigo, irmão Ornan e sua esposa sobre o batismo no Espírito Santo, orientando-os na Palavra.

     O irmão Ornan passou também a freqüentar as reuniões de oração juntamente com sua esposa, mesmo sendo membro da Igreja Congregacional. Muito se alegravam e sentiam um gozo extremo em suas almas, tal nunca sentido, até que certo dia foi selado com o Selo da Promessa.

     Inconformado de nunca ter ouvido sobre essa maravilha na sua igreja, resolveu o irmão Ornan questionar o seu pastor, perguntando o que ele tinha a dizer sobre essa verdade descrita em Atos 2.1-13 que fala sobre o derramamento do Espírito Santo, principalmente o versículo 4 que diz: “E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Ao ser questionado, seu pastor disse: “Irmão Ornan o senhor já está contaminado por esses pentecostais. O senhor não deve continuar andando com eles”.

     Após esse confronto, a discriminação por parte do pastor foi notória. O pastor já não tinha por aquela ovelha, que só queria conhecer as verdades da Palavra de Deus, o mesmo carinho e atenção que tinha anteriormente. Os meses foram passando e mais e mais se tornavam pentecostais. Inevitavelmente, procurou mais uma vez o seu pastor para que esse lhe esclarecesse aquele texto da bíblia.

     Foi então que o irmão Ornan recebeu a sua sentença final, quando o pastor lhe disse: “Irmão Ornan, o senhor já não é mais bem-vindo em nossa igreja. O senhor está convidado a se retirar do nosso meio e se unir a esses pentecostais”. Com tristeza e alegria ao mesmo tempo, transferiu-se da igreja Congregacional de Cordovil para a Assembléia de Deus de São Cristóvão,

     passando a frequentar a então congregação da Av. Lobo Junior, onde podia falar em mistério com Deus sem qualquer recriminação. Uma vez que em Cordovil não tinha a denominação “Igreja Irmãos Unidos”, o irmão José dos Santos uniu-se à igreja de São Cristóvão, sendo em pouco tempo, reconhecido como Presbítero e graças à sua iniciativa em realizar na sua residência,

cultos de oração, naturalmente com a mão de Deus operando naquele negócio, o trabalho do Senhor em Cordovil começou a prosperar grandemente. Foram surgindo outros pontos de pregação em locais próximos: um na Rua Pedro Rufino, na casa do irmão Miguel Moura; outro em Parada de Lucas na casa do irmão Belarmindo e irmã Julieta; e aos domingos tinha Escola Dominical para as crianças na casa do irmão Amaro Belchior. Esses trabalhos, já reuniam um bom grupo de crentes, tantos que os locais já não os acomodavam.

     Aí, Deus resolveu intervir. Salvou um casal de idosos: irmão Luiz e irmã Cecília que se tornaram muito amigos do irmão José Santos por terem sido evangelizados por ele. Esse casal morava na Rua Coronel Camisão nº 427 em Cordovil em uma casa muito grande e sentiram nos seus corações de oferecer os cômodos da frente da casa para funcionar como congregação. Era uma casa muito humilde, porém grande em comprimento. A casa foi preparada, com algumas adaptações de forma a abrigar o povo de Deus, tudo com a aquiescência da Matriz. O presbítero José dos Santos foi confirmado pela igreja de São Cristóvão como Dirigente da Congregação juntamente com os irmãos Severino Amador e Euclides Vieira.

     Deus aprovou aquele trabalho de uma forma tão surpreendente que em pouco tempo já funcionavam todos os trabalhos de uma congregação. Tinha Organização de Mocidade, Grupo de músicos, Conjunto e Escola Dominical. Somente a Santa Ceia e o Batismo em águas é que eram realizados na matriz, em São Cristovão.

     Muitas famílias faziam parte daquela Congregação, algumas de crentes já antigos, outras de crentes recém convertidos. Dentre as famílias daquela época

destacaram-se a família Moura, formada pelo irmão Miguel Moura, sua esposa, irmã Lia e seu filho Domício; a família Carius, formada pelo Irmão Vicente, sua esposa, irmã Almerinda e seus filhos Isaque, Samuel, Araci, Rute, Vicentinho e Elite; a família Belchior, formada pelo irmão Amaro Belchior, sua esposa, irmã Antônia e suas filhas Eunice e Elsa; a família Moreira, formada pelo irmão João Moreira e seus filhos Mamede, Ivone e Geraldo; a família Vaz, formada pelo irmão José Vaz, sua esposa, irmã Maria e seus filhos Miguel, Naninha, Olga, Elisabeth e Marlene; e a família Moura, de Vigário Geral, formada pelo irmão João Moura, sua esposa, irmã Fidelina e seu filho Balbino. Os cultos eram alegres e com muita manifestação do poder de Deus. Os crentes eram cooperadores, ativos, evangelizadores e sentiam prazer em estar na Casa do Senhor apesar de humilde como era.

     Assim, surgiu o primeiro grande desafio, pois o local não comportava mais a igreja do Senhor que ali se reunia. Nos cultos, muitos tinham que ficar em pé, do lado de fora, assistindo os cultos pelas janelas. Havia necessidade de comprar um terreno e construir um templo para abrigar o povo que, com dedicação e entusiasmo, trilhava os caminhos do Senhor.

     Mais uma vez Deus interferiu na necessidade daqueles servos. Apareceu um terreno à venda na Rua Porto Carrero nº 153. Esta era a solução. Comprar o terreno e construir. Mas como? Com quais recursos? Então, Deus tocou no coração do irmão Miguel Moura que comprou o terreno e doou para a igreja. Glorificado seja o nome do Senhor.

     Agora, outras preocupações para os dirigentes e irmãos em geral. Iniciar os preparativos para o lançamento da pedra fundamental do templo a ser construído.

     A data foi marcada. O dia chegou. Chovia muito. Os irmãos com seus chapéus de chuva se acotovelavam no local onde seria construído o templo para ver o que estava sendo colocado dentro daquela caixinha de concreto feita especialmente para aquela ocasião. Naquela caixinha, que significava a pedra fundamental do templo, foi colocada uma bíblia, diversas literaturas e dinheiro em moeda da época.

     A rua era de terra batida, não era calçada, ao contrário, era muito esburacada. Os irmãos, com seus sapatos lameados de barro vermelho não reclamavam de nada; ao contrário, estavam felizes. A alegria estava estampada nos seus semblantes. Estavam vivendo a esperança de ver ali um templo construído.

     Era uma verdadeira festa. Os músicos tocavam hinos de louvor a Deus abrilhantando aquela festividade como é comum na Assembléia de Deus. Foram convidados músicos da congregação da Penha Circular e da Matriz, São Cristovão, para engrossar fileiras com os músicos locais dentre os quais os irmãos Moisés Barbosa, Aristides e Samuel Carius.

     Estávamos no ano de 1946. A construção do templo foi iniciada. A igreja do Senhor começou a viver um novo desafio. O Senhor abriu as portas para que aquela congregação pudesse ter um espaço onde construir seu templo. Por certo aquela vitória era fruto de muita oração. O desafio continuava. Era hora de construir. Todos tiveram que se unir em torno daquele objetivo. Os primeiros materiais foram comprados. Chegaram os tijolos, pedras, areia, madeiras, etc.. Mas o material não chegava até o terreno, pois a rua era íngreme, esburacada e o caminhão não ia até lá. Por isso, os crentes foram convocados para transportar o material, o que eles fizeram com um sorriso no rosto. Foram convocados moços, velhos e crianças. Para cada um, uma alegria. Para as crianças mais uma brincadeira. Vamos construir a nossa igreja! Esse era o sentimento daqueles que conheciam a seriedade e necessidade do momento.

     Surgiu outro problema. A água da rua não tinha força pra chegar ao local. A solução foi convocar os crentes novamente para encher os reservatórios a fim de que os pedreiros pudessem trabalhar. Ninguém se aborreceu. Estavam construindo a igreja!

     Assim foram os dois anos que se seguiram. Durante a construção os irmãos se engajavam como podiam. Devido à escassez de recursos para a obra, muitas irmãs preparavam os mais diversos quitutes em suas residências, tais como: pastéis, bolos, bolinhos, e vendiam, antes ou após os cultos com o objetivo de angariar fundos para a construção.

     Muitos mutirões foram realizados, aliás, quase toda a obra foi feita em regime de mutirão. Enquanto os irmãos davam suas mãos-de-obra em seus dias de folga fazendo aquilo que sabiam fazer, as irmãs preparavam e enviavam lanches para os que estavam trabalhando. Dentre essas irmãs estava a irmã Almerinda, mãe da irmã Elite Neves que normalmente mandava suas filhas Elite e Arlete levar o gostoso café com bolo na parte da manhã, enquanto a irmã Fidelina de Oliveira enviava na parte da tarde. Cada dia de trabalho era uma alegria. O assunto corrente na congregação era a construção do templo. O anseio por vê-lo inaugurado estava no coração de todos.

     O presbítero José dos Santos deixou a direção da Congregação por motivo de mudança para Belford Roxo. O grande incentivador da obra foi substituído pelo presbítero José Penso.

     Enquanto isso, Deus continuava abençoando, salvando almas e batizando com o Espírito Santo. Verdadeiramente Deus estava naquele negócio!

     Enfim, chegou o grande dia. O dia da inauguração do templo. Era o mês de julho de 1948. Às três horas da tarde, naquele domingo ensolarado, lá estava toda a Congregação reunida na frente da sua nova igreja. Os músicos, liderados pelo irmão Aristides, tocavam hinos de louvor a Deus. Os obreiros se postavam nos lugares a eles destinados. A fita verde e amarela estava colocada na porta principal à espera do grande momento, o que aconteceria dentro de instantes. Todos aguardavam com alegria e expectativa o momento em que a fita seria cortada.

     Foi dado início ao culto festivo de inauguração do novo templo. Conforme é de praxe, o presbítero José Penso, dirigente da Congregação, passou a direção dos trabalhos ao pastor presidente, Pastor Samuel Nilströn que se fazia acompanhar do seu vice-presidente, Pastor Talles Caldas e de vários obreiros da igreja matriz, São Cristóvão.

     Feita a oração inicial, lida a Palavra de Deus e após breves palavras foi declarado inaugurado, com o corte da fita inaugural pelo pastor presidente e o convite aos presentes para que entrassem na nave do templo ao som do hino 212 da Harpa Cristã, que era entoado pela pequena banda de música da congregação, engrossada por um grupo de músicos convidados.

     No interior do templo, o pastor presidente deu continuação à festividade, fazendo a apresentação dos presentes e, nessa ocasião, confirmou o presbítero José Penso como primeiro dirigente da congregação de Cordovil, filial de São Cristóvão, agora no novo templo.

     Chegou o momento da consagração. Após ler e explanar a Palavra de Deus, o pastor presidente falou do entusiasmo, desprendimento e dedicação dos crentes daquela congregação, que, sem medir esforços, se uniram ao seu dirigente, sempre dentro da vontade de Deus, para construir tão belo templo para a glória de Deus. E assim procedeu a oração consagratória daquele bem material, que seria usado como Casa de Oração, dedicando-o ao Senhor.

     Os tempos que se seguiram à inauguração, foram promissores. A igreja, muito bem organizada, vivia verdadeiro avivamento. O desejo era crescer e para isso tinham que evangelizar. Foi então inaugurado o primeiro Ponto de Pregação. Era na casa do irmão Pedro Catharina, no Morro da Rádio Nacional, atual Cidade Alta. A igreja tinha uma boa Escola Dominical, cultos de mocidade, muitos cultos ao ar livre, um conjunto musical, organizado e dirigido pelo irmão Moisés Barbosa, que também dirigia uma pequena banda de música. Os cultos eram muito alegres e espirituais, já que o Espírito Santo se fazia presente em todas as reuniões. Não demorou muito e aquele lindo conjunto musical foi transformado em coral, sob a regência do irmão Moisés Barbosa, auxiliado pelo irmão Adeildo, um de seus alunos de música. Toda essa estrutura era remanescente da antiga congregação da Rua Coronel Camisão.

     Após o Presbítero José Penso, o Presbítero José dos Santos dirigiu a congregação, e ele, como o outro de mesmo nome, também muito dinâmico e espiritual. Em seguida, a congregação foi dirigida pelo Presbítero Augusto Zacarias que, mais tarde, foi substituído pelo Presbítero Alexandre Ferreira. Esses obreiros estiveram à frente da Congregação por cerca de 10 anos.

     A Congregação de Cordovil vivia momentos de grande enlevo espiritual, na direção do Presbítero Alexandre Ferreira. Ele era um obreiro muito amoroso, cativador e acima de tudo, muito espiritual, o que agradava muito a igreja. Sendo ele desejoso de ser independente, solicitou à matriz, isto é, a igreja de São Cristóvão, autonomia para a Congregação de Cordovil. A igreja de São Cristóvão, igreja mãe, não achando viável e entendendo que o momento não era oportuno, negou a pretensão do Presbítero Alexandre Ferreira. 

     Não satisfeito com a negativa, resolveu abrir seu próprio trabalho sendo acompanhado por mais de oitenta por cento dos membros da Congregação. Apenas o Diácono Pedro Catharina, permaneceu na congregação de Cordovil ligada a São Cristóvão, tendo os demais obreiros acompanhado o Presbítero

Alexandre Ferreira. Também permaneceram ligados a São Cristóvão a maioria dos membros que congregavam nos pontos de pregação. Esse trabalho deu origem à Assembléia de Deus em um bairro próximo a Cordovil.

     Com a abertura do novo trabalho, a Congregação ficou relativamente vazia. O número de crentes congregados na Rua Porto Carreiro ficou reduzido a mais ou menos vinte irmãos. O irmão Pedro Catharina, que residia nos fundos da igreja, ficou tomando conta dos bens materiais pertencentes à igreja, por determinação do presidente da igreja de São Cristóvão. Aos domingos, quartas e sextas-feiras, os cultos passaram a ser dirigidos pelos Pastores Túlio Barros e Moisés Malafaia que eram enviados pela matriz nos dias de culto, e se revezavam para atender ao trabalho, situação essa que perdurou por cerca de três meses.

     Tendo em vista os fatos acontecidos, a igreja de São Cristóvão realizou uma Assembléia Geral Extraordinária, na noite de 05 de maio de maio de 1959, e concedeu autonomia administrativa e jurisdicional, com caráter de igrejas locais, às seguintes congregações: Leblon, Lapa, Estrela Vila Isabel, Borel, Todos os Santos, Bonsucesso, Olaria, Penha, CORDOVIL e Ilha do Governador.

     Assim, no dia 27 de maio de 1959, a congregação de Cordovil recebeu uma expressiva comissão da igreja de São Cristóvão, composta do seu presidente, Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos, do vice-presidente, Pastor Túlio Barros Ferreira, dos pastores auxiliares Joaquim Ferreira Lima, Marcelino Margarida da Silva e Moisés Gonçalves Malafaia, do primeiro secretário Antônio Augusto Rocha, do segundo secretário, Antônio Gilberto da Silva, do terceiro secretário, Gidalt Galvão de Figueiredo, além de um bom número de membros da igreja de São Cristóvão que acompanhavam a comitiva, com a finalidade de instalar a Igreja Assembléia de Deus de Cordovil.

     Os trabalhos tiveram início ás 19h20min com muitos membros, a maioria congregados nos pontos de pregação. Foram cantados os hinos 409, 423 e 434, da Harpa Cristã e convidado o pastor José Pimentel de Carvalho para fazer a leitura da Palavra de Deus no Salmo 84, em seguida, o pastor Joaquim Ferreira Lima fez a oração.

     Dando seqüência aos trabalhos, o pastor presidente ordenou que o irmão Euclides Vieira da Silva fizesse a leitura da Palavra de Deus em 1º Samuel 15.23. Com base no texto lido, teceu comentários sobre a saída do presbítero Alexandre Ferreira, falando sobre o ligar e desligar conforme Mateus 18.18-20.

     Passou então a esclarecer para a congregação sobre a resolução tomada pela

matriz, em Assembléia Geral, quanto à emancipação das dez congregações, determinando aos membros presentes, ao fim das considerações, que se levantassem aqueles que desejassem, voluntariamente, se tornar igreja autônoma. Ato contínuo verificou-se a unanimidade dos presentes que ficaram todos de pé.

     Tendo em vista a manifestação dos membros presentes, o presidente declarou instalada a Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Cordovil, como igreja autônoma Administrativa e Jurisdicionalmente, com 209 (duzentos e nove) membros presentes e em comunhão, orando em seguida em gratidão a Deus.

     Uma vez instalada, a igreja aprovou o seu primeiro Estatuto, que foi lido artigo por artigo pelo pastor Moisés Gonçalves Malafaia. Após a aprovação, o pastor Álvaro Cardoso orou em agradecimento a Deus.

     O pastor presidente declarou que a igreja teria que escolher o seu pastor, dizendo mais, que quando se escolhe alguma coisa, sempre se escolhe o melhor. Ato contínuo, o presidente apresentou os pastores e presbíteros presentes, capazes de serem escolhidos, para que a escolha recaísse sobre aquele a quem o Senhor tinha designado para servir a sua igreja. O pastor Túlio Barros Ferreira dirigiu uma oração ao Senhor a esse respeito.

     Após a oração, o presidente franqueou aos membros da igreja a oportunidade de apresentar os nomes de dois candidatos, dentre os pastores e presbíteros presentes. Foi indicado o nome do Pastor Marcelino Margarida da Silva e do Presbítero Jarbas Tertuliano de Oliveira, tendo a aprovação geral da igreja.

     Foi feita mais uma oração a Deus, pelo Pastor Anselmo Silvestre, pedindo sua direção para a escolha do melhor para sua igreja. Em seguida foi procedida a eleição, por escrutínio secreto.

     Terminada a votação, passou-se a apuração dos votos, sendo o Pastor Marcelino Margarida da Silva eleito por 108 votos.

     Imediatamente, o Pastor Marcelino foi chamado à frente para ler o compromisso de honra dos pastores membros da convenção. O presidente orou e declarou empossado no pastorado da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Cordovil, o Pastor Marcelino Margarida da Silva.

     Dando prosseguimento ao evento, o Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos

propôs e foi aceita pela igreja a composição da primeira diretoria, que ficou assim constituída: Vice Presidente - Presbítero Jarbas Tertuliano de Oliveira, candidato que obteve 101 votos na eleição; Primeiro Secretário - Genésio Rodrigues; Segundo Secretário - José Lima de Souza; Tesoureiro - Alcendino Pereira de Farias.

     Estavam presentes naquela solenidade os Pastores: José Pimentel de Carvalho, da Penha; Nelson da Silva Pinto, do Leblon; Álvaro Cardoso, da Ilha do Governador; José dos Santos, de Carangola – Minas Gerais; Sebastião Davino dos Reis, de Castelo – Espírito Santo; Anselmo Silvestre, de Belo Horizonte – Minas Gerais; Belarmindo Teixeira Martins, de Petrópolis – Estado do Rio; Teotil Anastácio Cesário, de Rio Casca – Minas Gerais; Francisco do Espírito Santo, de Porto Novo do Cunha – Minas Gerais; Severino do Rego Cavalcante, de Ipiranga – São Paulo; Euclides Vieira da Silva, de Santa Catarina; Evangelista João Caetano Feiteira, de Niterói – Estado do Rio; e ainda os Presbíteros José Bezera Varela, Moisés Moreira de Oliveira, Aparício Augusto de Oliveira, José Apolônio da Silva, José Lucas de Paula, Josué Galvão de Lima, João Agripino dos Reis, Augustinho Aquino da Silva, Jarbas Tertuliano de Oliveira, Augusto Costa e vários Diáconos.

     Após os cumprimentos de praxe ao pastor empossado, o culto foi encerrado com orações de agradecimento a Deus pelos Pastores Belarmindo Teixeira Martins e Marcelino Margarida da Silva e Bênção Apostólica pelo Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos.


     Novos tempos chegaram para a Igreja de Cordovil. Agora a Igreja era independente, havia muitas coisas a realizar e muitas decisões a tomar. Com o seu jeito peculiar; com seu amor cristão; e com amor de um verdadeiro Pastor, o Pastor Marcelino foi visitando o rebanho, sempre usando sua bicicleta como meio de transporte, mostrando a falta que cada um fazia no seio da nova igreja.

     Após visitar cada um dos que haviam saído, programou um culto especial que marcava a volta de cada um deles, tendo o irmão Esperidião Antônio da Rocha falado à igreja em nome de todos os sessenta e quatro irmãos que foram recebidos naquele dia.

     Agora era trabalhar, abrir novos trabalhos, ampliar os horizontes. Nessa época a igreja já contava com seis trabalhos considerados sub-congregações. Eram eles: Coronel Camisão, Vila Nova – (atual Furquim Mendes), Vigário Geral, Vista Alegre, Bráz de Pina – (na Rua Jacuí), Morro da Rádio Nacional – (atual Cidade Alta), na casa do irmão Pedro Catharina, Aricambu, Vila Municipal e um Ponto de Pregação na casa da irmã Pulsina na Rua Comandante Coelho. Nesses trabalhos, congregavam um bom número de crentes.

     A Igreja de Cordovil nasceu com vocação missionária. Já em 1960, O presbitério

credenciou o Irmão Francisco Carlos Filho, Auxiliar de Trabalho, para fundar um Trabalho na cidade de Campos, na localidade chamada Guarús, a pedido de irmãos daquela cidade que estavam como ovelhas sem Pastor.



     Em 1961, o Pastor Marcelino recebeu uma proposta do Pastor Moisés Soares, da Assembléia de Deus de Niterói, para receber daquela igreja um Campo Missionário nas cidades de Cantagalo, Euclidelândia, Floresta e Prata, cidades do Estado do Rio, todas adjacentes, bem conhecidas do Pastor Marcelino. Desejoso em ampliar o Campo de Cordovil, levou a proposta ao presbitério que a aprovou por unanimidade, enviando para o Campo o Evangelista Josué.

     Esse Campo ficou aos cuidados de Cordovil, até abril de 1963, quando foi transferido para a igreja do Leblon, pastoreada pelo Pastor Nelson Pinto, tendo em vista dificuldades financeiras e de obreiros.

     Juntamente com sua esposa, irmã Esther, de saudosa memória, o Pastor Marcelino continuou sua grande empreitada de fazer crescer o trabalho através do Evangelismo. Muitas almas se convertiam ao Senhor pelas pregações no templo sede, nas congregações e nos cultos ao ar livre. Para a realização de tão grande obra o Pastor Marcelino pôde contar com nomes como o Evangelista Josué, os Presbíteros João Moura, Isaac Carius, Pedro Catharina, Diáconos Jonas Alves, Epitácio, Amaro Belchior, Israel, Euzébio, Diógenes, Moreira, Antunes, Tito de Paula, Miguel Váz, Januário, Benedito Lima e ainda da irmã Dolores e irmã Darcy, filhas do irmão Jonas Alves que maravilhosamente tocavam seus violinos. Assim, novos trabalhos foram abertos, tendo prosperado grandemente.

     Aproveitando a estrutura departamental herdada da igreja como congregação, foi dado ao conjunto existente o nome de “Conjunto Estrela da Manhã” estabelecendo a data de sua fundação em 3 de outubro de 1959, na direção da irmã Sebastiana Lima, esposa do irmão José Lima. Reorganizou também o grupo de músicos criando a “Banda de Música Lira de Cristo”, nome este dado por ele, na regência do irmão Arly Moraes que foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1963. Também no ano de 1963, fundou o Coral dando a ele o nome de “Coral Vozes Angelicais”, na regência do irmão Moisés Barbosa.

     Dotado de grande amor cristão, tinha muita preocupação com os idosos da igreja, principalmente com o sustento das viúvas necessitadas. Tanto que o Presbitério estabelecia valores de ajuda financeira mensal a cada uma e, quando necessário, aprovava reforma de residências; ainda que com dificuldades, pois os recursos eram bastante escassos.

     No ano 1966, no dia 2 de janeiro, quando ninguém ainda falava em plano de auxílio funeral, o Pastor Marcelino Margarida da Silva, acatando sugestão do irmão José Tito de Paula, então dirigente da congregação de Aricambu, resolveu fundar naquela congregação, uma Caixa Funerária com o nome de “Caixa Funerária José de Arimatéia”, com o objetivo de custear as despesas com o funeral dos membros da igreja que a ela se associasse. Como a iniciativa parecia promissora transferiu-a para a igreja

     Após sua ordenação, continuou o mesmo Waldyr de sempre. Sempre trabalhando em prol do crescimento da obra do Senhor em Cordovil, ao lado do Pastor Marcelino Margarida da Silva, no cargo de vice-presidente, cargo esse exercido com amor, lealdade e respeito ao seu presidente e à igreja, sempre atento e interessado em todos os problemas e na solução dos mesmos junto à presidência.

     Foi indicado pelo presidente, Pastor Marcelino Margarida da Silva, para assumir a presidência da igreja. Levou um susto quando recebeu a notícia do próprio Pastor Marcelino, dizendo que não estava preparado para o cargo e chegou a sugerir nomes de outros obreiros. Porém, quando o Pastor Marcelino lhe disse que o Senhor o tinha revelado que era ele o seu substituto, ele preferiu orar e buscar confirmação em Deus.

     Nessa época o Pastor Waldyr Neves era funcionário público na Rede Ferroviária Federal – (Leopoldina). Exercia cargo de confiança, chefiava uma das maiores secretarias da empresa, e conseqüentemente, tinha um ótimo salário. Tudo isto fez com que dúvidas afligissem o seu coração. Como bom esposo e bom pai, tinha muitas preocupações com o sustento de sua família. Era difícil, naquele momento, deixar um bom emprego e passar a viver as expensas da igreja. Porém, Deus tem seus planos e quando Ele chama, Ele mesmo dá as condições. Foi aí que Deus lhe impôs sua soberana vontade, falando diretamente com ele, conforme ele mesmo disse com suas próprias palavras, “... Deus interferiu falando comigo diretamente por um Profeta que de nada sabia, dizendo: “O teu emprego fui Eu quem te deu, cuida da Minha Igreja, pois da tua família Eu cuidarei”. Visto isso, nada mais tinha a questionar. Foi à empresa e pediu sua demissão. Lá chegando, procurou o seu o chefe imediato que era um coronel e lhe disse da sua decisão de deixar seu emprego para dirigir uma igreja. Foi chamado de louco, ao que respondeu: “O senhor jamais iria entender, pois isso não é coisa de homem, mas de Deus”.



     Assim, no dia 30 de outubro de 1976, o Pastor Waldyr Neves assumiu a presidência da Igreja Assembléia de Deus de Cordovil, em Assembléia Extraordinária, com a presença maciça da igreja em cerimônia solene, presidida pelo Pastor Marcelino Margarida da Silva, seu antecessor, estando presentes ao ato os seguintes pastores convencionais: Sebastião Silva, Manoel Luiz Filho, Dario Rodrigues Vieira, Joaquim Estevão de Abreu, Severino da Cunha Freitas, Luiz Venâncio Pereira, Natanael Beuttenmüller, José Bezerra da Silva, Gilberto Correia de Melo, Jesse Adriano da Silva, Amaro Belchior, José Gomes da Silveira, Osmar Mielgo Gonçalves e Gilberto Malafaia, bem assim, o Sr. Manoel Joaquim Ribeiro, Administrador Regional da Penha.

     A primeira Diretoria após a posse do Pastor Waldyr Neves, como presidente, ficou assim constituída: Vice-Presidente - Pastor Isaac Carius da Cunha; Primeiro Secretário - Luiz Lins de Albuquerque; Segundo Secretário - Miguel de Castro Vaz; Terceiro Secretário - Nery de Oliveira Machado; Primeiro Tesoureiro - Deolando Almeida; Segundo Tesoureiro - Airton Silva de Farias. Durante o período em que esteve à frente da igreja, exerceram também o cargo de Vice-Presidente os Pastores Althaides Porto, Geraldo Correa, Roberto Inácio, Misael Alcides, Francisco José da Silva, Antônio Mardônio e Antônio Gilberto da Silva.

     O ensino da genuína Palavra de Deus sempre foi prioridade da sua gestão. Por isso, criou o IBED – Instituto Bíblico Estrela de Davi, em nível de seminário teológico, com a finalidade de cuidar da formação dos obreiros, sendo nele ministradas as mais diversas disciplinas de curso teológico. A igreja estava sempre envolvida em Seminários e Estudos Bíblicos voltados para o crescimento espiritual da igreja. O então Presbítero Antonio Gilberto o ajudou muito, pois era bastante dedicado na área do ensino da Palavra de Deus e contribuía para a formação de uma igreja madura. Grandes pregadores nacionais e missionários estrangeiros de diversos países foram por ele recebidos em visitas à igreja, quase sempre pela interferência do irmão Antônio Gilberto, que nas mais variadas ocasiões, abrilhantaram os nossos cultos e enriqueceram o nosso conhecimento.

     Durante sua administração, a igreja teve um crescimento surpreendente. A igreja estava organizada em Departamentos os quais se empenhavam no desenvolvimento da obra de Deus. Esses departamentos eram o de Escola Bíblica Dominical; o Infantil; o de Adolescentes; o de Jovens; o Musical, que fundou no seu seio a Orquestra Finlândia; o Social; e o de Evangelismo e Missões.

     Persistindo com sua visão missionária, a igreja enviou para a Argentina o Missionário Adailton Conceição que lá estabeleceu um trabalho sendo aquele trabalho entregue à convenção local quando do seu regresso ao Brasil. Ao mesmo tempo o Departamento de Evangelismo e Missões coordenava o envio da importância de 10 salários mínimos como ajuda aos missionários a serviço do Senhor na Amazônia. Esses valores eram depositados na conta bancária da igreja de Manaus, responsável pelos missionários que lá estavam.

     O Departamento Social tinha vida intensa e estava organizado tanto na Sede como nas congregações. Em suas atividades promovia mensalmente a entrega de cestas básicas de alimentos a muitas famílias carentes, além de medicamentos, material escolar no início das aulas e roupas, fruto de doação dos irmãos.

     Vários trabalhos foram instalados, muitos obreiros foram consagrados, um considerável número de congregações foram construídas e inauguradas e Deus fazia prosperar a cada uma delas. Algum tempo depois, foi necessário que algumas congregações fossem emancipadas, pois o trabalho assim exigia. Foi

então emancipada a congregação de Parque Mercúrio. Tempos depois as congregações de Campo dos Afonsos e Rocha Miranda e mais tarde, em 1991, as congregações de Piabetá, São Vicente, Santa Marta, todas com suas sub-congregações e ainda as congregações de Nova Era, Suruí e Santa Dalila, estas últimas compondo uma só igreja.

     Dotado de grande capacidade administrativa, teve coragem de envolver a igreja na compra de um imóvel no ano de 1979, para naquele local construir o novo templo sede. Para muitos era um valor muito alto. Parecia mesmo inalcançável, além das possibilidades da igreja. Mas o Pastor Waldyr resolveu enfrentar os desafios. As oposições impostas pelos pessimistas, naturalmente estavam presentes, porém, com coragem foram por ele enfrentadas. Sua esposa, irmã Elite Neves, juntamente com a irmã Zulmira, sob a orientação de Deus, gravaram um disco com músicas, verdadeiramente inspiradas, doando para a igreja todo o lucro das vendas. Com o primeiro montante por elas recebido e entregue à igreja, foi paga uma parcela da prestação do terreno. O Pastor Waldyr foi em frente. A igreja comprou o imóvel, pagou antes do prazo contratado e logo já estava envidando os preparativos para o lançamento da pedra fundamental.

     Foi então que resolveu lançar uma grande campanha para a construção do novo templo. Foi solicitado ao irmão Rubem Farias, membro da igreja, que concebesse o projeto de um grande templo; templo esse que comportasse pelo menos 1800 pessoas sentadas, que fosse esteticamente bonito aos olhos e que fosse possível construir no espaço de terreno existente. Como um bom técnico, mas acima de tudo um bom servo de Deus, foi o irmão Rubem ao Altíssimo buscar orientação. Os trabalhos de prancheta foram sendo executados na elaboração do projeto preliminar e em pouco tempo o irmão Rubem apresentou ao Pastor Waldyr Neves a maquete do templo a ser construído.

     Em junho de 1979 foi lançada a pedra fundamental do novo templo. Toda a igreja matriz e as congregações do campo estavam reunidas no terreno num dia de domingo, às 3 horas da tarde. Um palanque foi armado para servir de púlpito e em um local estratégico foi colocada a maquete do futuro templo. As pessoas se inebriavam na observação da maquete, parecendo mesmo que se abstraiam como que vendo ali o templo já construído. Muitas faixas com mensagens de congratulações alusivas ao evento eram conduzidas pela mocidade. O Pastor Túlio Barros Ferreira presidiu a cerimônia colocando, como é de praxe, literatura evangélica e jornais da época na caixa de concreto especialmente construída no terreno para esse fim, além de uma Bíblia Sagrada.

     Foi uma grande festa. A alegria era contagiante principalmente pela grande vitória alcançada. A partir daquele momento o pensamento seria um só; quando iniciar a construção.

     Passaram-se 5 anos do lançamento da pedra fundamental. A campanha pró

construção estava de vento em popa. Os irmãos contribuíam pelo sistema de carnês. Acabava um carnê e recebia outro. Fazia-se de tudo para angariar fundos. Até um concurso de “Rainha da Primavera” foi elaborado pela irmã Elite Neves com o objetivo de levantar recursos. O concurso visava que cada congregação elegesse uma jovem que a representasse, sendo vencedora a congregação que levantasse o maior valor em ofertas para a construção. A congregação de Parque Mercúrio foi a vencedora e a jovem Claudia Bretas Leite, hoje esposa do Pastor Elias Inácio, atual 3º Vice-Presidente da igreja, foi aclamada “Rainha da Primavera”, cuja congregação ganhou até da matriz.

     A igreja crescia, crescendo também as dificuldades em acomodar o povo no interior do templo sede situado na Rua Porto Carrero nº 153 em Cordovil. Como os cultos eram realizados com a participação de vários departamentos musicais, nos moldes de hoje, como Orquestra, Banda de Música, Coral e Conjuntos a maior parte dos lugares disponíveis eram por eles ocupados. Isto estava levando o povo a assumir um certo grau de insatisfação nos cultos, muitos irmãos já deixavam de vir aos domingos pela falta de acomodações, esse fato realmente tinha que ser tratado com bastante habilidade. O Pastor Waldyr não estava satisfeito com essa situação que estava lhe causando muitos dissabores.

     Assim, em fevereiro de 1984, o Pastor Waldyr Neves determinou o início das obras de construção do novo templo. Constituiu uma comissão de obras coordenada pelo Presbítero Roberto Inácio que, juntamente com seus companheiros, deu início aos preparativos para estabelecer o canteiro de obras. Os anos que se seguiram foram difíceis. Muitas compras de materiais, preocupações com os preços, afinal de contas, o dinheiro tinha que render. Muitas observações negativas por parte de pessoas que não entendiam nada do assunto. Muitas modificações no projeto original para atender necessidades, ora da legislação, ora para adaptação às necessidades da igreja.

     Enfim, muita luta! Porém, certos de que Deus daria a vitória. Decorridos 7 anos de obras intensas, sem paralisações, estava pronto o novo templo sede da Assembléia de Deus do Ministério de Cordovil, situado na Rua Piaíba, nº 285 em Braz de Pina.



     Agora era partir para a inauguração. Foi escolhido o dia 26 de maio de 1991, exatamente 32 anos após a emancipação. Nesse dia foi realizada uma grande festividade de inauguração com a presença do Pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus – CGADB, que presidiu a cerimônia de inauguração. As festividades se estenderam até o dia 9 de junho, sempre com o Espírito Santo de Deus sendo derramado sobre a igreja, ocasião em que pregaram os Pastores José Wellington Bezerra da Costa, Túlio Barros Ferreira, Nilson do Amaral Fanini, da Igreja Batista, Guilhermino Cunha, da Igreja Presbiteriana, Horácio da Silva Júnior, Gilberto Malafaia, Adilson Farias, Samuel Bezerra, Geziel Gomes, Marcos Kolenda, Silas Malafaia, Kemuel Sotero, Manoel Ferreira e Samuel Câmara.

     A grandiosidade da obra do templo recebeu menção em reportagem no jornal de bairro “O Globo” de 5 de maio de 1989 como uma obra digna do arquiteto Oscar Niemeyer pela sua imponência, beleza e linhas arquitetônicas. No entanto, o irmão Rubem Farias, projetista da obra, disse que “Deus o inspirou em cada linha traçada”. Disse ainda que as formas e projeções têm significado específico. Ao descrever o seu projeto desvendando cada significado e cada simbolismo o irmão Rubem assim se expressou:
     “Debruçando-me sobre a prancheta, pedi ao Senhor sabedoria, unção e inspiração para criar...
     Colocando-me em suas mãos sem reservas, conduziu-me de forma excepcional.
     Em dias alternados e de forma progressiva e produtiva, tudo foi acontecendo...”
     ...E passou a comentar o simbolismo de cada traço:

1. FACHADAS
     Frontal: Os arcos se unem em continuidade entre si, representando pessoas de mãos dadas, entrelaçadas, unindo força.
     Lateral à direita: Duas torres paralelas anexadas a fachada no plano vertical e horizontal, arcos convexos - contrição e júbilo representando duas pessoas lado a lado - harmonia, união, família - braços erguidos em agradecimento.
     Torre: Representando o braço direito levantado, colocando-se em evidência.
     Desenho e forma reduzida, proporcional a fachada principal.

     2. ENTRADA PRINCIPAL

     Escada Central: Hall de recepção - acesso ao auditório (nave do templo).
     1º ao 15º degrau representando o Cântico dos Degraus - Salmos 120 ao 134.

     3. PAINEL DO PÚLPITO
     Forma: Implicitamente, representa uma figura alada, em linhas sinuosas e curvas harmoniosas, pousando suavemente sobre o altar, tendo a nave como escabelo.
     O entorno do rebaixamento: Duas asas abertas do lado esquerdo e lado direito, completam o cenário fixo, com sete refletores maiores e sete menores - nos dois lados, em rebatimento - representando os sete espíritos de Deus enviados à terra. (Apocalipse 5.6).

     4. REFLETORES CENTRAIS

     3 Refletores: Iluminação direta sobre o altar representando Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

     5. TETO

     12 Vigas horizontais: Iniciando-se no painel do púlpito e alongando-se para a frente, dimensionando-se sem limites - Representam:

     12 Tribos de Israel: Origem da Lei, da ordem e do conhecimento pleno.

     12 Apóstolos: Testemunhas oculares da origem do cristianismo.

     6. ESCADAS LATERAIS

     Apoio ao auditório superior / galeria, representam formas angelicais.

     7. ESTRUTURA VIZÍVEL DE APOIO À GALERIA

     12 Vigas horizontais e em Diagonal: Em aclive suportando a galeria, representam braços estendidos para a frente, em agradecimento e súplica, direcionados ao altar.

     “...Evidenciemos a fase embrionária e concepção, buscando soluções, concebendo o inédito, lançando desafios para serem vencidos, tornando belo e indescritível este momento de criação, mergulhando na fantasia dos espaços e formas criados, admirando em êxtase o inimaginável.”

     “NO PERÍODO DE SETE ANOS, DO NADA, SURGIU ESTE MONUMENTO ARQUITETÔNICO”

     Após a inauguração do novo templo, a igreja continuou sua caminhada sempre em busca de maior comunhão com Deus e cada vez mais se dedicando a apregoar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. O trabalho continuou crescendo. Agora localizada em outro bairro, Brás de Pina, a igreja tinha o compromisso de evangelizá-lo. O Departamento de Evangelismo tinha muito a fazer. Novas estratégias precisavam ser colocadas em prática para atingir o alvo. Assim, muitas Cruzadas e muitos cultos ao ar livre foram realizados e a cada batismo via-se o fruto do trabalho traduzido em almas salvas para o reino de Deus.

     Durante a gestão do Pastor Waldyr Neves estiveram ao seu lado muitos obreiros e irmãos que contribuíram, não só para o avanço da igreja, mais também com o seu ministério. Dentre tantos, pode-se citar o Pastor Geraldo Correia, Pastor Misael Alcides, Pastor Antônio Gilberto, Pastor Antônio Mardônio, Pastor Claudionor de Andrade,

     Pastor Roberto Inácio, Presbítero Oswaldo Lino, Presbítero Joel Ramos, Presbítero Jesiel Moraes, Diácono Josias Soares, Auxiliar de Trabalho Antônio Sabino e muitos outros.

     O Pastor Waldyr Neves pastoreou a igreja durante 18 anos, quando entendeu que havia realizado a obra para a qual Deus o havia chamado. Pediu então sua jubilação transferindo a presidência do Ministério de Cordovil para o Pastor Francisco José da Silva no dia 25 de outubro de 1994.

     Naquele dia o Pastor Francisco José da Silva assumiu a presidência do Ministério de Cordovil. Homem humilde, servo fiel, conhecido na época apenas pelos seus dotes de firmeza na Palavra, na Doutrina e nos Costumes. Foi esse o homem escolhido por Deus para pastorear o Seu rebanho. Esta escolha ocorreu através de uma eleição direta, por escrutínio secreto, na qual participaram 6 (seis) candidatos, sendo eleito o Pr. Francisco José da Silva com expressivo número de 71,98 % dos votos.

     Após ter sido declarada a sua vitória pelo presidente em exercício, Pastor Misael Alcides, foi-lhe concedida a palavra ao que ele agradeceu a Deus, aos irmãos e solicitou à Diretoria em exercício que permanecesse em seus cargos até que fosse constituída a nova Diretoria.

 

    No dia 15 de novembro de 1994, tomou posse a nova diretoria em cerimônia festiva presidida pelo presidente da CEADER, Pastor Samuel Lessa. Estiveram presentes naquela cerimônia os

Pastores.............. Ficou assim constituída a nova diretoria: Primeiro Vice-Presidente - Pastor Tutécio Gomes de Mello; Segundo Vice-Presidente - Pastor Walter Fonseca Leite Filho; Primeiro Secretário - Pastor Anderis Marcos Barbosa; Segundo Secretário - Presbítero Jezuhar Mielgo Gonçalves; Primeiro Tesoureiro - Presbítero Clébio Bastos Gonçalves; Segundo Tesoureiro - Auxiliar de Trabalho Eduardo Ferreira dos Santos; e Terceiro Tesoureiro - Diácono Jorge dos Santos.

     No desempenho das suas funções como obreiro da casa do Senhor o Pastor Francisco José exerceu várias funções, dentre elas, a de Secretário de Evangelismo e Superintendente da Escola Bíblica Dominical, dirigente dedicado de 7 (sete) congregações do campo, como também o cargo de Vice-Presidente durante uma gestão.

     Ao assumir a presidência da igreja, suas principais preocupações eram com o crescimento em número de membros, crescimento espiritual de cada crente e expansão do trabalho para além das fronteiras. Essas preocupações tornaram-se objetivos a serem alcançados e hoje, vemos os frutos de tão profícua dedicação.

     O número de membros vem crescendo a cada dia, principalmente pelos trabalhos de evangelização desenvolvidos pela igreja sob a coordenação da SEMMIC, através do evangelismo pessoal, cultos ao ar-livre e Cruzadas Evangelísticas realizadas nos Setores, que compreendem grupos de congregações.

     O crescimento espiritual da igreja é notório e vem sendo alcançado mediante ensinamentos sólidos da Palavra de Deus ministrados nos cultos da igreja, estudos bíblicos, simpósios, e principalmente através da Escola Bíblica Dominical cujo número de alunos está em torno de 80% do total de membros. Outra forma expressiva para o crescimento espiritual da igreja tem sido obtida através do Instituto Bíblico Estrela de Davi - IBED, que vem preparando os crentes que desejam ingressar no ministério, onde é ministrado o Curso de Preparação de Obreiros, além dos Cursos Teológicos em nível Básico, Médio e Bacharel.

     A expansão do trabalho para além fronteiras é hoje uma realidade, pois a igreja conta com um Campo Missionário consolidado, com igrejas nas cidades de Ubá, ............, também em Ubá, Divinésia, Grama, Senador Firmino, Dores do Turvo, Brás Pires e Rodeiro, todas no Estado de Minas Gerais e nas cidades de Itaperuna, Santo Eduardo e Campos no interior do Estado do Rio de Janeiro, sendo a maioria em templos próprios.

     A congregação de Ubá já tem duas sub-congregações que são: Santa Bernardete e Vila Casal; a congregação de Dores do Turvo tem uma, que é a de Gonçalves; e a congregação de Brás Pires também

tem uma, que é a de Ribeirão de Santo Antônio. Assim, o Campo Missionário do Ministério de Cordovil conta hoje, no Ano do Jubileu, com 15 trabalhos missionários no Brasil, com mais de setecentos membros.

     O crescimento da igreja vem se dando também em número de congregações e em patrimônio. Hoje, temos cerca de 6.000 membros arrolados, distribuídos na igreja matriz, em 33 congregações no Grande Rio e 15 no campo missionário. Ao assumir a presidência, o número de congregações era de 27. Nesse período foram emancipadas as congregações de Bento Ribeiro, na direção do Pr. Walter Fonseca Leite Filho, a Congregação de Vila Rica na direção do Pr. Severino Bezerra e a Congregação de Campos Elíseos na direção do Pr. Cláudio Barbosa Marques, pastores ordenados pelo Pr. Francisco José, sendo emancipadas com todo o patrimônio e suas sub-congregações.

     Na área administrativa também ocorreram mudanças. Foram melhoradas as condições de funcionalidade administrativa com a aquisição de novos mobiliários, informatização, sistemas telefônicos, equipamentos de som e aquisição de uma grande variedade de instrumentos musicais. Com a informatização da área administrativa da igreja, o Pastor Francisco José conseguiu um grande feito, tirou a administração da era da “máquina de escrever” colocando-a na era do computador. Nessa área, com o objetivo de facilitar os irmãos nos momentos de louvor, foi instalado no templo um equipamento de projeção Data Show que projeta em um telão os hinos, leituras bíblicas e também anúncios diversos. Foi também instalado um excelente sistema de ar refrigerado na nave do templo, o que trouxe aos irmãos maior conforto durante os cultos.

     Nesse período foram adquiridos veículos, terrenos, casas, estando todos em nome da igreja, e muitas obras foram realizadas. Muitas obras novas foram realizadas em imóveis adquiridos e outras, de reformas, foram executadas principalmente em congregações, tudo fruto das bênçãos de Deus e generosidade dos irmãos que têm contribuído financeiramente para que isto aconteça e principalmente da confiança de cada crente no seu pastor e sua diretoria.

     No campo da assistência social, o Pr. Francisco José vem desenvolvendo atividades assistenciais através da Secretaria de Assistência Social envidando todos os esforços para fazer o melhor possível tendo em vistas as grandes necessidades sociais, reconhecendo que ainda é pouco. Os irmãos carentes são assistidos com cestas básicas de alimentos a partir da doação dos irmãos na Campanha do Quilo, obedecendo critérios estabelecidos pela Secretaria, além de ajudas para compra de medicamentos, exames, e outras necessidades afins.

     No afã de promover uma assistência digna para aqueles que não têm acesso, foi criado um consultório odontológico que vem atendendo os irmãos de maneira satisfatória, não só as emergências,

mas efetuando tratamentos. Quase 15 anos após sua inauguração está passando pela sua primeira reforma, modernizando o consultório com a aquisição de novos equipamentos.

     Para dirigir a igreja durante esses quase 15 anos, o Pastor Francisco José da Silva contou com a colaboração de um grande número de irmãos que, sem medir esforços, o auxiliaram no desempenho de sua tão nobre missão, a começar pela sua esposa irmã Hosana Marinho que tem estado ao seu lado como sua fiel ajudadora. Dentre esses abnegados servos de Deus, destacamos um corpo de obreiros constituído de 34 Pastores, 5 Evangelistas,172 Presbíteros,212 Diáconos e 168 Auxiliares de Trabalho, além dos regentes, titulares e substitutos, dos diversos órgãos que compõem o Departamento Musical, bem como todos os componentes desses órgãos e ainda as irmãs que compõem o Círculo de Oração da Igreja, Organização de Mocidade, Adolescentes e Crianças.

     No Ano do Jubileu de Ouro a diretoria da igreja está assim constituída: Primeiro Vice-Presidente - Pastor Antônio Gilberto da Silva; Segundo Vice-Presidente - Pastor Jerônimo dos Reis Pacheco; Terceiro Vice-Presidente - Pastor Elias José Inácio; Primeiro Secretário - Presbítero Carlos Henrique da Cruz Santos; Segundo Secretário - Presbítero Josué Correia da Silva; Terceiro Secretário - Presbítero Carlos Alberto da Silva Bráz; Primeiro Tesoureiro - Pastor Paulo Ronaldo Andrade dos Santos, Segundo Tesoureiro - Diácono Ismael Batista de Menezes.

     Neste ano de 2009, no período de 21 a 31 de maio estamos comemorando o Jubileu de Ouro do Ministério de Cordovil. Nesta oportunidade rendemos graças a Deus pelos membros fundadores desta tão grande obra que é o Ministério de Cordovil, bem como por todos aqueles que por aqui passaram e que ajudaram a construir a história deste Ministério.

     Louvamos a Deus pela vida do Pastor Francisco José da Silva e irmã Hosana Marinho, sua esposa, pela Diretoria da Igreja, por cada obreiro, cada departamento, cada congregação e por cada membro deste Ministério que estão escrevendo a história deste Jubileu. Temos fé que com a graça de Deus o Pastor Francisco José continuará a conduzir a igreja na sua caminhada para o céu e enquanto Jesus não voltar, a história desta igreja continuará sendo escrita de glória em glória, de vitória em vitória...

     Não a nós Senhor, Não a nós, mais ao Teu nome Dai Glória ... (Sl 115.1)

     “A VITÓRIA É NOSSA, PELO SANGUE DE JESUS !”

     O presente trabalho foi elaborado pela Sub-Comissão do Histórico, Coordenada pelo Presbítero Clébio Bastos Gonçalves, integrada à Comissão Organizadora das Festividades do Jubileu de Ouro da Assembléia de Deus do Ministério de Cordovil com a colaboração dos seguintes irmãos: