ASPECTOS DA FÉ

INTRODUÇÃO

“Tiago” poderia ser definida como a Epístola da verdadeira religião, pois enquanto “Aos Hebreus” se preocupa com a pregação e a Doutrina, “Tiago” preocupa-se com a fé e a prática. Sendo a fé a tônica desta Epístola, esboçaremos aqui um ensaio abordando alguns aspectos da fé:

A FÉ PROVADA ( Tg:1.1-21 )

A fé genuína e perfeita em Deus é aquela que sendo provada gera em nós a paciência (Tg:1.3). Por sermos provados somos bem aventurados (Tg:1,12), receberemos a Coroa da Vida (Tg:1.12). A fé em nós é fruto da ação da Palavra de Deus que em nós foi enxertada (Tg:1.21).

A FÉ VIVIDA (Tg:1.22-27 )

A fé farisaica e cerimonialista é fraca pois não opera a salvação, porém a fé verdadeira é aquela na qual o crente é cumpridor da palavra de Deus e não apenas ouvinte negligente (Tg:1.22). A palavra aparece agora como como espelho no qual nos contemplamos diuturnamente (Tg:1.23,24) . A fé vivida é aquela que dá à religião um sentido prático e realista, tendo como fundamento a santidade (Tg:1.26,27 ).

A FÉ E A FRATERNIDADE (Tg:2.1-13)

A fé é fruto do amor ,e o amor não divide, não distingue, não separa, não faz acepção de pessoas. O grande problema da acepção de pessoas consiste, a maioria das vezes, no olhar a aparência das pessoas (Tg:2.3). Jesus era e é bem diferente de nós neste aspecto, pois Ele é conhecedor de todos os corações (Tg: 2.1). A nós resta apenas a misericórdia de Deus por não poucas vezes julgarmos as pessoas pela aparência, e graças a Deus que o que prevalece no Juízo não é a aparência e sim a misericórdia (Tg:2.13 )

A FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tg:2.14-26)

O que o espírito é para o corpo, a prática das boas obras é para a fé. A prática das boas obras é de tal importância para aqueles que professam a fé em Jesus que o próprio Jesus recomendou-a logo em seu primeiro sermão (Mt 5.16).

A prática das boas obras nunca foi, não é nem nunca será a condicional para a salvação humana; Somos salvos não porque praticamos boas obras e sim praticamos boas obras porque somos salvos.

A FÉ E O CONTROLE DA LÍNGUA (Tg:3.11-18)

Ao falar sobre o controle da língua Tiago faz cinco comparações que nos levam a uma profunda reflexão sobre os vários aspectos da vigilância na vida cristã; Vejamos suas comparações:

A língua é o FREIO do corpo, o homem que consegue frear sua língua é poderoso para controlar todos os impulsos do seu corpo (Tg:3.3). A língua é como uma pequena faísca que incendeia toda uma floresta; como FOGO que inflama o curso da vida, todas as grandes e pequenas guerras da história da humanidade se deram por causa do mal uso deste tão pequeno membro. A língua é como um pequeno LEME que governa grandes embarcações,usando-a bem conduziremos prosperamente nossos negócios, nossa família, nosso ministério e tudo mais que Deus nos confiar (Tg:3.4).A língua é, ou deveria ser, como uma FONTE que jorra apenas um tipo de água, ou águas doces ou águas amargas, ou falamos apenas bênçãos ou maldições. Queira Deus que falemos apenas bênçãos (Tg:3.11). Enfim a língua é, ou deveria ser como ARVORE que dá apenas um tipo de fruto (Tg:3.12).

Depois de tantas comparações, analogias e metáforas práticas de Tiago, só nos resta ser mais prontos para ouvir e tardios para falar, pois como disse Salomão: “As palavras ditas em seu tempo são como maçãs de ouro em salvas de prata”, e Salomão continua em Eclesiastes dizendo que “Há tempo para todo o propósito debaixo do sol... Tempo para falar e tempo de estar calado”.

A FÉ REPREENDE O MUNDANISMO (Tg:4.1-17)

Através de várias admoestações, “Tiago nos exorta a avaliarmos os verdadeiros valores que motivam nossas orações, fé e vida cristã.Tiago adverte que a porfia entre os irmãos é fruto dos deleites carnais, da porfia e da inveja (Tg:4.1,2). Muitas das nossas petições não são atendidas por Deus por não partirem de um coração sincero e bem intencionado (Tg:4.3). A soberba e a falta de sujeição a Deus são as causas diretas de muitos não vencerem as forças espirituais das trevas (Tg: 4.5-10). Nossa vida, nossos planos e nossos projetos devem sempre estar na dependência da vontade de Deus, pois isso é o que Deus espera de nós após sermos alertados (Tg:4.13-17)

A FÉ NA ORAÇÃO (Tg:5.1-20)

A oração e a perseverança são fatores fundamentais para o desenvolvimento da vida de fé e esperança em Cristo, neste contexto o crente é comparado com um LAVRADOR PACIENTE que espera a chuva temporã e a serôdia que lhe trará o pago de seu esforço (Tg:5.7,8). Ademais o Apostolo nos manda tomar como exemplo de aflição e paciência os profetas que falavam em nome do Senhor (Tg:5.10), pois existe uma Bem-aventurança para aqueles que sofrem (Tg:5.11), mesmo porque os profetas antigos eram sujeitos às mesmas paixões que nós (Tg:5.17) , portanto há uma grande eficácia na oração da fé (Tg:15.15) que promove a cura no doente e o arrependimento seguido do conseqüente perdão do pecador.

PR. ROQUE O. RIBEIRO
2º Vice-Presidente
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